Criminosos invadem lavouras para roubar café direto no pé em Minas Gerais
- ibiaemfoco
- 27 de mar.
- 2 min de leitura
Produtores rurais relatam aumento de furtos de grãos ainda no pé; polícia e entidades discutem ações para conter onda de crimes no campo.

O preço recorde do café arábica, que ultrapassou R$ 2,5 mil a saca de 60 kg, tem transformado as lavouras mineiras em alvo de criminosos. Produtores do Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Zona da Mata relatam um temor crescente: o roubo de café ainda nos pés, um crime que até pouco tempo era incomum no estado, maior produtor mundial do grão.
Com o valor da saca em patamares históricos – iniciando 2025 a R$ 2.241, contra R$ 1.003 no ano anterior –, furtar café se tornou mais lucrativo do que roubar máquinas ou fertilizantes. Pequenos agricultores, muitos da agricultura familiar, veem parte de sua produção desaparecer durante a noite, com prejuízos que impactam diretamente seu orçamento anual.
Crimes em ascensão
Casos recentes ilustram a escalada do problema. Em Ilicínea, no Sul de Minas, um homem foi flagrado colhendo café ilegalmente, carregando uma saca cheia de grãos. Em Campestre, ladrões agiram à noite, colhendo café diretamente dos pés. Já em São Sebastião do Paraíso, a ousadia foi ainda maior, quando criminosos arrancaram mudas recém-plantadas.
"Antes, o medo era perder equipamentos. Agora, é perder a lavoura", desabafa Zuliander Silva, cafeicultor de Alpinópolis. Ele reforçou cercas, instalou câmeras e soltou cães de guarda, mas ainda se sente vulnerável. "Meia hora é suficiente para um ladrão encher um saco e lucar R$ 2,5 mil."
Resposta das autoridades
O tema foi debatido durante a Femagri, feira da Cooxupé em Guaxupé, que reuniu 42 mil visitantes. José Eduardo dos Santos Júnior, da cooperativa, explica a lógica dos criminosos: "Um saco de café vale o mesmo que uma tonelada de fertilizante, mas é muito mais fácil de transportar".
A Assembleia Legislativa de Minas realizou uma audiência pública no último dia 17 para discutir estratégias de segurança, enquanto a Polícia Civil planeja ampliar o número de delegacias especializadas em crimes rurais.
Sete suspeitos de integrar uma quadrilha que roubou café em Lavras já foram presos, mas os produtores pedem mais fiscalização.
Enquanto o preço do grão continuar em alta, a tensão no campo deve persistir – e os cafeicultores mineiros seguem em alerta.
(Com informações de Marcelo Toledo / O Tempo)
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